quinta-feira, 16 de julho de 2009

OS DIAS DE CUIMBA

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MEMÓRIA
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ENTRELINHAS DE UMA MEMÓRIA
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OS DIAS DE CUIMBA 6
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ALGUNS DIAS ANTES DE IR À MÁQUINA ZERO
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. No início de Maio, a equipa de escuta foi surpreendida com a substituição do capitão Oliveira; o substituto, de apelido Guerreiro, era de estilo arrogante e pouco adequado à realidade de um cenário de guerra, destoando nitidamente dos seus pares no Batalhão 670. Acabou-se a boa vida, passámos a trabalhar das sete da manhã até à noite. Antenas novas, pintar, caiar, capinar (cortar o capim) para aí criar uma horta, etc., etc., etc. Acabaram-se as folgas, andávamos exaustos, com as mãos em ferida de tanto trabalho, mas ele achava sempre que fazíamos pouco.
A 9 de Maio, o Batalhão comemorou o primeiro aniversário da sua chegada a Angola.

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A MEIO DA MÁQUINA ZERO - UMA BRINCADEIRA COM O CADAVAL
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Rezam os meus escritos que houve festa rija e que, ao almoço, os oficiais degustaram – imaginem! – lagosta e leitão assado. Para os sargentos houve churrasco à brasileira, enquanto nós nos deliciámos com o belo bacalhau cozido com batatas e hortaliça. Um menu destes em cenário de guerra pode parecer algo irreal, mas aconteceu em Cuimba com o Batalhão de Caçadores 670.
Falta dizer que o álcool corria à vontade, e que, no fim do repasto, metade do pessoal estava bêbedo...
Terá sido para nós uma sorte os “turras” não terem descido a serra.

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DEPOIS DA MÁQUINA ZERO
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Acontecia também que, de vez em quando saía para a mata uma equipa de caça. Quase sempre voltava de mãos vazias, mas no dia 6 de Junho os homens regressaram com uma enorme pacaça (boi selvagem). Este troféu gerou grande contentamento em Cuimba e contribuiu para um acréscimo de qualidade no já de si excelente cardápio dos “Fronteiros da Canda”.
Atingidos os 13 meses de isolamento, com a sanidade mental dos militares a entrar perigosamente no vermelho, chegou finalmente a notícia que mais ambicionavam. Os seus substitutos já estavam em Luanda! Era por isso uma questão de dias.
Os substitutos eram os homens do Batalhão de Cavalaria 782, constituído maioritariamente por alentejanos e algarvios.

3 comentários:

Serena Flor disse...

Muito bom o texto e as fotos também!
Um grande beijo e uma linda noite meu amigo!

Gaspar de Jesus disse...

Obrigado SERENA pela visita
Beijinho
G.J.

Tonho Zé disse...

Oh Gaspar os militares do Bat. Cav. 782 não era na maioria alentejanos e algarvios pelo contrario esses eram em minoria. Eu fui para a Buela como Fur. Mil. Mecânico. Um abraço

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO
COM A ARTE NO OLHAR