terça-feira, 6 de janeiro de 2009

QUE O SOL DESTA MANHÃ POSSA ILUMINAR A ALMA DOS HOMENS
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O amigo Eduardo do Varal de Ideias comentava há dias atrás que a AFURADA é mágica, e ao olhar estas imagens não poderemos estar mais de acordo. O sol estava quase a pino e iluminava a imaculada roupa que pendurada nos varais tinha por fundo um fabuloso céu azul.
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Imagens assim poderiam ser modelo do que se pretende para o ano que agora começou. Um mundo em que a relação entre os humanos possa ser limpa, transparente, lavada! Que a arrogância
, a inveja e o ódio, sejam para sempre banidos da face da terra.
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Do amigo TOSSAN do Blog Klic Tossan obtive autorização para publicar este seu belissimo texto.

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O ódio é desalmado é traumático, significa o princípio do fim. É a derradeira síndrome da terrível dor do desamor. Uma "pirofagia" crônica do ódio doentio, transmissor da paranóia na fase terminal do amor. É o início da histeria que oculta o ódio que na verdade não passa de uma cilada. Dói no peito tornando-se em agonia múltipla quando a metamorfose se consome, a alma padece deixando sequélas irreparáveis, tornando o ódio com consequências da moléstia. Embora, o amor e o ódio continuam nesta fusão: Fere, adoece, enlouquece e pode matar.
Tossan

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Gostaríamos que a paz que se respirava nesta luminosa manhã fosse a imagem de marca de 2009.
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

MEMÓRIA - 2
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Entrelinhas duma Memória
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O Unimog 4X4 subia com alguma dificuldade a íngreme picada que nos levava montanha acima. Íamos divertidos por via da ginástica que fazíamos para nos mantermos em cima da viatura, face aos constantes “pinotes” dados pelo todo o terreno, mas ao mesmo tempo intrigados. Sabíamos que haviam três pelotões dispersos pela montanha: Morteiros, Artilharia, e Antiaérea, mas não eram visíveis quaisquer instalações.
Desfizeram-se as dúvidas quando o Unimog parou no último monte: as instalações eram todas debaixo de terra! E a partir desse momento também nós iríamos vestir a pele de homens toupeira.
Fomos instalados num buraco que já fora cantina mas que agora funcionava como caserna.
Lá estavam as três camas de ferro com enxerga e almofada, mas roupa de cama não havia. Ainda estávamos a rir com a situação quando fomos abordados por um furriel e dois soldados que tinham subido porque tinha constado em baixo que um de nós era grande jogador de bola e precisavam de reforçar a equipa que disputava um campeonato entre companhias. Miraram, remiraram e escolheram-me a mim – deves ser tu, tens pinta de jogador! Escusado será dizer que a nossa boa disposição aumentou, pois nenhum de nós tinha o menor jeito para tal.
Por fim lá se foram embora desiludidos e desconfiados de que um de nós lhes havia escondido as suas reais capacidades futebolísticas.
Logo que o dia chegou ao fim apercebemo-nos de um “inimigo” de peso, as legiões de mosquitos que nos iriam transformar as noites em pesadelo.

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Refeitório não tínhamos, banho também não, sanitário era no meio do capim mas tínhamos instruções rigorosas para que sempre que usássemos essas “instalações” mantivéssemos conversa constante com os sentinelas pois, por vezes, eles passavam pelas brasas e podiam muito bem confundir-nos com o inimigo…
Dado o facto de sermos Operadores de Informação das Transmissões o nosso posto de trabalho situava-se em baixo bem junto ao rio onde era impensável tomar banho, porque a água tinha um aspecto barrento mas também porque a sabíamos infestada de jacarés.
Valia-nos nesse aspecto a piscina que era o ex-líbris de Nóqui. Semi-abandonada, terá sido em tempos usada pelos habitantes dos dois lados da fronteira. Agora era de uso exclusivo dos militares portugueses e de um ou outro cidadão belga mais retardatário em abandonar Matádi e fugir às tropas de Mobutu.

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Mas outra dificuldade chegou: o motor que permitia o abastecimento de água potável a Nóqui deixou de trabalhar, terá sido danificado pelos guerrilheiros que de longe a longe e durante a noite atravessavam a fronteira e vinham pernoitar com as famílias.
As peças necessárias para a sua reparação demoraram a chegar de Luanda e a falta de água veio piorar as já de si precárias condições de vida.
Como se tal não bastasse, o Quartel-general não procedeu à transferência dos nossos vencimentos para Nóqui e em breve nos vimos sem um tostão na algibeira.
A sopa que era a mais valia de uma alimentação já de si sofrível, passou a ser feita com água do rio Zaire e deixou de ser apetecível, mas era o único líquido que ingeríamos, pois não dispúnhamos de dinheiro para frequentar o bar. Passei então a saber o significado da palavra sede.

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Foram muitas as noites em que tive grandes dificuldades em adormecer, até que um dia obtivemos do Alferes que comandava o acampamento permissão para que descêssemos os três a íngreme encosta até ao ribeiro que corria por entre a floresta.
Debaixo de um calor tórrido espingarda a tiracolo e cartucheiras à cintura iniciámos a descida.
Quando estávamos perto do fim deparamos com um pequeno grupo de soldados que regressava já de banho tomado. Perguntei-lhes: - ainda estamos longe? – Não, é já aí em baixo!
Corri o mais que pude, entrei na pequena floresta e quase juro que senti o “cheiro” a água fresca…
Mais alguns passos e… finalmente água.
Bebi sofregamente toda a água que o meu estômago aceitou, e no fim senti que alguma coisa não estava bem: - a água sabe a sabão! Comentei com o Faria e o Minga que acabavam de chegar. Porra, a água sabe a sabão! E ainda me recordo do ar de gozo do Serafim Minga quando me disse:
- Deve saber a sabão e a outras coisas. Ó pá, não viste os gajos a passar por nós? Então bebeste água com sabão, champô e na certa mijo também, pois quando se toma banho sempre se faz uma mijinha…! Temos de descobrir o sítio onde tomaram banho e subir, para bebermos água limpa.
Sentia-me muito mal com aquele gosto esquisito, e passei bastante tempo a fazer passar água limpa na boca e assim acalmar a papilas gustativas.

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Foi já muito próximo do Natal que o motor voltou a funcionar e o problema da sede ficou resolvido.
Saímos de Nóqui a 13 de Janeiro de 1966, mas recordo-me bem de como foi diferente para pior o Natal de 65 assim como a entrada em 66. Nessa noite sentia-me muito abatido, e decidi deitar-me cedo mas quando a meia-noite chegou, o barulho no exterior do buraco era enorme, o pessoal estava bastante etilizado, tinham convidado o Faria e o Minga para participar na farra, e quando perceberam que eu estava deitado, tentaram (sem o conseguir) levar-me à força para o exterior. Nessa noite não estava para festas e tinha decidido assumir o papel de “homem toupeira”.

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Dentro de dias o atribulado regresso a Luanda

domingo, 4 de janeiro de 2009

NUVENS NEGRAS TEIMAM EM PAIRAR SOBRE OS PORTUGUESES
Depois da dramática missiva que Cavaco Silva dirigiu aos portugueses no primeiro dia deste ano o tempo não tem estado para graças, mas este sábado deu uma trégua e o sol espreitou embora timidamente.
Fui dar o costumeiro passeio dos tesos
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Uma estranha luz iluminava o Estuário do Douro e a sempre elegante Ponte da Arrábida
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O negócio da castanhas vai mau, os portuenses passeiam de bolsos vazios
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Um ou outro espera pacientemente que algum robalo se distraia
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O mar anda de candeias ás avessas
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Algumas gaivotas comem o que a maré lhes oferece
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Outras são mais exigentes
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Os mergulhões resolvem partir
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Este jovem casal por certo que pensará fazer o mesmo
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Mas eis que chega a noite e os seus insondáveis mistérios








sábado, 3 de janeiro de 2009

O MARAVILHOSO MUNDO DA MACROFOTOGRAFIA - 2
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Gotas, fungos, flores minusculas, e outros pormenores.
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Parque Biológico de V. N. de Gaia
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Senti que a primeira postagem sobre o têma foi do agrado geral, por isso voltei ao "local do crime".

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

NUVENS NEGRAS PAIRAM SOBRE PORTUGAL
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Caíu como uma bomba nos meios políticos e não só, a mensagem de Ano Novo do Presidente da Républica Cavaco Silva aos portugueses. Mas no fundo, o P.R. limitou-se a dizer "o rei vai nú" coisa que já há muito sabia-mos.
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Reproduzo aqui algumas passagens do seu discurso.
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"Boa Noite.
No início deste novo ano, dirijo a todos os Portugueses, onde quer que estejam, uma saudação calorosa e os melhores votos para 2009.
Quero começar por dirigir uma palavra especial de solidariedade a todos os que se encontram em situações particularmente difíceis, porque sofreram uma redução inesperada dos seus rendimentos.
A estes homens e a estas mulheres, que sofrem em silêncio, e que até há pouco tempo nem sequer imaginavam poder vir a encontrar-se na situação que agora atravessam, quero dizer-lhes, muito simplesmente: não se deixem abater pelo desânimo.
O mesmo digo aos jovens que, tendo terminado os seus estudos, vivem a angústia de não conseguirem um primeiro emprego: acreditem nas vossas capacidades, não percam a vontade de vencer.

Portugueses.
Não devo esconder que 2009 vai ser um ano muito difícil.
Receio o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social.
Devo falar verdade.
A verdade é essencial para a existência de um clima de confiança entre os cidadãos e os governantes.
É sabendo a verdade, e não com ilusões, que os portugueses podem ser mobilizados para enfrentar as exigências que o futuro lhes coloca.
A crise financeira internacional apanhou a economia portuguesa com algumas vulnerabilidades sérias.
A crise chegou quando Portugal regista oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos seus parceiros europeus.
Há uma verdade que deve ser dita: Portugal gasta em cada ano muito mais do que aquilo que produz.
Portugal não pode continuar, durante muito mais tempo, a endividar-se no estrangeiro ao ritmo dos últimos anos.
Para quem ainda tivesse dúvidas, a crise financeira encarregou-se de desfazê-las.
Como é sabido, quando a possibilidade de endividamento de um País se esgota, só resta a venda dos bens e das empresas nacionais aos estrangeiros.
Os portugueses devem também estar conscientes de que dependemos muito das relações económicas com o exterior.

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Gaspar de Jesus
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E mais adiante.

"...Quero também lembrar dois outros grupos da nossa sociedade que são frequentemente esquecidos e que vivem tempos difíceis.
Os pequenos comerciantes, que travam uma luta diária pela sobrevivência. O pequeno comércio deve merecer uma atenção especial porque constitui a única base de rendimento de muitas famílias.
Os agricultores, aqueles que trabalham a terra, que enfrentam a subida do preço dos adubos, das rações e de outros factores de produção.
Sentem-se penalizados face aos outros agricultores europeus por não beneficiarem da totalidade dos apoios disponibilizados pela União Europeia.
O mundo rural faz parte das raízes da nossa identidade colectiva. A sua preservação é fundamental para travar o despovoamento do interior e para garantir a coesão territorial do País.
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Gaspar de Jesus
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Medina Carreira, antigo ministro das finanças, afirmou hoje na SIC Noticias: "...no espaço de dois meses ficamos com mais sessenta mil desempregados..." para mais adiante afirmar "...o país está a saque... dificilmente se achará o rasto da maior parte dos trezentos mil milhões de euros que entraram no país ao longo de dez anos...! precisamente porque estará no bolso de alguns senhores..."
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Gaspar de Jesus
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Gaspar de Jesus
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Apetece-me perguntar, será que este POVO, o povo que canta e dança, que mantém viva a verdadeira génese de ser português, merecia isto? Acho que não!
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Gaspar de Jesus

Catálogo de 2007
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THE AL - THANI AWARD 2008
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Inaugura hoje em Doha e outras cidades do QATAR aquela que é muito provávelmente a maior exposição de Fotografia de Autor em todo o mundo.
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O belissimo livro/catálogo de 2007 refere a participação de 4.067 autores, de 35.572 obras recebidas, e selecionadas 11.783
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Estas tres Fotografias integram a exposição que agora inaugura
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Rosto Mediéval - Óbidos ---------- Gaspar de Jesus
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Festa Popular---------- Gaspar de Jesus
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Jogador de Futebol na Lama ........... Gaspar de Jesus


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

AFURADA
Manhã do primeiro dia de 2009
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O dia estava de cara feia, apesar disso, as gaivotas não
deixaram de se associar à homenagem que as gentes de
S. Pedro de Afurada prestaram ao santo da sua devoção,
pedindo-lhe proteção para o ano que agora começa.
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Mais fotos da Afurada nesta manhã
de inverno.
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Traineiras no cais
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O meu BOAVISTA de pernas para o ar...
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Até os tres pastorinhos fizeram uma pausa
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Pescadores em repouso
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A gaivota não

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO
COM A ARTE NO OLHAR