sábado, 6 de novembro de 2010

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CAVACO SILVA E O SEU CAVAQUINHO
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( NO TEMPO DAS VACAS GORDAS )
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ESTA FOTOGRAFIA TEM CERCA DE VINTE ANOS. FOI OBTIDA POR MIM DURANTE UMA VISITA DO ENTÃO PRIMEIRO MINISTRO A PAÇOS DE FERREIRA. COM ELA PRETENDO COMPLEMENTAR O EXCELENTE TEXTO DO GRANDE JORNALISTA BAPTISTA BASTOS.
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Os tristes dias do nosso infortúnio
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Na terça-feira, 26 de Outubro, p.p., assistimos, estupefactos, a um espectáculo deprimente.
O dr. Cavaco consumiu vinte minutos, no Centro Cultural de Belém, a esclarecer os portugueses que não havia português como ele. Os portugueses, diminuídos com a presunção e esmagados pela soberba, escutaram a criatura de olhos arregalados. Elogio em boca própria é vitupério, mas o dr. Cavaco ignora essa verdade axiomática, como, aliás, ignora um número quase infindável de coisas. O discurso, além de tolo, era um arrazoado de banalidades, redigido num idioma de eguariço. São conhecidas as amargas dificuldades que aquele senhor demonstra em expressar-se com exactidão. Mas, desta vez, o assunto atingiu as raias da nossa indignação. Segundo ele de si próprio diz, tem sido um estadista exemplar, repleto de êxitos políticos e de realizações ímpares. E acrescentou que, moralmente, é inatacável. O passado dele não o recomenda. Infelizmente. Foi um dos piores primeiros-ministros, depois do 25 de Abril. Recebeu, de Bruxelas, oceanos de dinheiro e esbanjou-os nas futilidades de regime que, habitualmente, são para "encher o olho" e cuja utilidade é duvidosa. Preferiu o betão ao desenvolvimento harmonioso do nosso estrato educacional; desprezou a memória colectiva como projecto ideológico, nisso associando-se ao ideário da senhora Tatcher e do senhor Regan; incentivou, desbragadamente, o culto da juventude pela juventude, característica das doutrinas fascistas; crispou a sociedade portuguesa com uma cultura de espeque e atrabiliária e, não o esqueçamos nunca, recusou a pensão de sangue à viúva de Salgueiro Maia, um dos mais abnegados heróis de Abril, atribuindo outras a agentes da PIDE, "por serviços relevantes à pátria." A lista de anomalias é medonha. Como Presidente é um homem indeciso, cheio de fragilidades e de ressentimentos, com a ausência de grandeza exigida pela função. O caso, sinistro, das "escutas a Belém" é um dos episódios mais vis da história da II República. Sobre o caso escrevi, no Negócios, o que tinha de escrever. Mas não esqueço o manobrismo nem a desvergonha, minimizados por uma Imprensa minada por simpatizantes de jornalismos e por estipendiados inquietantes. Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés. (Baptista Bastos, Outubro 2010)
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6 comentários:

maria teresa disse...

Será que estava mesmo convencido do que estava a dizer?
Abracinho

Sheila disse...

E ele fez seu cavaco chorar, e quem estava ao seu redor também.Beijos.

Marilu disse...

Querido amigo, tenha um lindo final de semana. Beijocas

Jorge C. Reis disse...

As verdades, por vezes, são muito duras de ouvir... mas devem ser ditas.

E as alternativas ????

Somos, na realidade nua e crua, um país de palermas !!!

Um abraço

Gaspar de Jesus disse...

MARIA TERESA
SHEILA
MARILU
JORGE
Muito obrigado pelos vossos comentários.
G.J.

bemsalgado disse...

"Em qualquer país do mundo, seriamente democrático, o dr. Cavaco teria sido corrido a sete pés. (Baptista Bastos, Outubro 2010)"

Tâo só uma discordancia co que aquí se disse do Dr. Cavaco: justamente o parágrafo de cima.

Em qualquer país do mundo, no pouco até onde eu sei, escuta-se dizer o mesmo ou parecido: "o que aquí acontece, nâo passaría em nemum outro país do mundo".
Vejam se nâo para os seus vizinhos do leste, sem ir mais lonje.

Mas acontece. É preciso buscarmos outro tipo de razôes, causas e argumentos, para expricar que essas coisas acontecem-nos.

Um saúdo.

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO

5ª TERTÚLIA A 02 DE JULHO
COM A ARTE NO OLHAR